Há vínculo de emprego entre entregadores e aplicativos?

Ministério do Trabalho aplicou multas milionárias a algumas empresas de entrega

BRUNO FEIGELSON | MARIANA LOUBACK LOPES | VITOR MAGNANI

Os aplicativos de entrega, como Rappi, Glovo, Loggi e Rapiddo, são plataformas digitais que aproximam e conectam, de um lado, prestadores de serviços de entrega e, de outro lado, clientes interessados na contratação de tais serviços. Eles representam um segmento chamado “online-to-offline” (O2O), cuja atividade principal é a intermediação da oferta de bens e serviços por meio de transações que se iniciam na internet, via desktop ou dispositivo móvel (online) e são finalizadas com o recebimento de produtos ou serviços no mundo físico (offline).

O mercado O2O se insere na “economia de compartilhamento”, cujas características principais são: a) o aproveitamento das capacidades excedentes de bens e serviços; e b) a realocação de recursos através da tecnologia. Estão enquadradas neste conceito empresas como Airbnb e Uber.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) produziu um estudo1 relevante, em abril de 2018, sobre os efeitos concorrenciais promovidos por este setor. Segundo o órgão regulador, “a economia do compartilhamento pode trazer benefícios tanto para os consumidores quanto para os ofertantes. Os primeiros são beneficiados porque conseguem usufruir de determinados bens de maneira temporária, com uma maior variedade de opções de consumo e com preços geralmente mais baixo. (…) já os ofertantes conseguem ter um acesso mais fácil e eficiente ao mercado consumidor e, ainda, conseguem reduzir significativamente a ociosidade de seus bens. Portanto, elimina-se completamente os custos de transação e as ineficiências relacionadas, criando valor para toda a economia”.

É neste cenário que, nos últimos meses, o Ministério do Trabalho aplicou multas milionárias a algumas empresas de entrega por entender que os parceiros entregadores que operacionalizam o serviço final possuem vínculo de emprego com os referidos aplicativos. A movimentação não é novidade. Os aplicativos de transporte individual de passageiros respondem a processos semelhantes até hoje. Ocorre, contudo, que esse entendimento não reflete a efetiva dinâmica estabelecida entre os referidos sujeitos, em prejuízo do princípio trabalhista da primazia da realidade.

No caso da Rapiddo, a Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo (SRT-SP) entendeu que a empresa seria, na verdade, uma prestadora de serviço sob demanda com preço tabelado, já que o entregador não tem poder de definir o preço do frete e haveria uma ingerência no modo como operar pelo aplicativo.

A legislação trabalhista em vigor considera empregador “a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço” e, paralelamente, considera empregado “toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”2. Dessa definição, são extraídos os requisitos essenciais para caracterização do vínculo empregatício, quais sejam: (i) a prestação por pessoa física; (ii) a pessoalidade; (iii) a não eventualidade; (iv) a onerosidade; e (v) a subordinação. A existência desses elementos deve ser simultânea, de forma que a ausência de qualquer um deles inviabiliza o reconhecimento da relação.

No tocante à pessoalidade, a qual traz consigo a noção de intransferibilidade em razão de qualidades pessoais do empregado, os prestadores de tais serviços não são individualmente selecionados. O cadastro no aplicativo já habilita qualquer parceiro entregador, em condição regular de condução do veículo, a operar por meio das plataformas.

Por conseguinte, é impossível identificar o requisito da não eventualidade, o qual se consubstancia na habitualidade do serviço, em casos nos quais não há carga horária, nem jornada de trabalho previamente fixadas e nem obrigatoriedade de aceite dos pedidos de serviço recebidos por meio da plataforma. Prova disso é o fato de que os prestadores, nessas hipóteses, possuem autonomia para ativar o aplicativo apenas quando for de seu interesse, podendo, inclusive, desligá-lo quando quiserem, recusar tarefas ou solicitar o cancelamento de seu cadastro por sua mera liberalidade.

Em se tratando da necessidade de subordinação intrínseca às relações de emprego, é de se observar que não há poder de direção e/ou controle das empresas sobre o trabalho executado pelos prestadores. Tampouco há exigências sobre as motocicletas e os equipamentos (capacetes, jaquetas etc.) utilizados pelos entregadores, bastando que sejam regulares de acordo com a legislação aplicável. Quando muito, podem ser identificadas em regulamentos destas empresas disposições gerais e esparsas sobre como operar na plataforma digital. Já as avaliações realizadas pelos clientes servem apenas para os próprios entregadores melhorarem a qualidade do serviço prestado ou, ainda, para os aplicativos intercederem na solução de algum problema ocorrido na entrega (mercadoria extraviada, ausência de pagamento etc.), de modo a evitar quais danos de imagem ou outros prejuízos similares. Caso ocorra algum problema grave, seja ocasionado pelo parceiro entregador ou cliente/usuário, as plataformas digitais devem adotar medidas cabíveis para tentar solucionar o caso, assim como impedir, se for necessário, que os causadores não utilizem mais a sua plataforma.

Tendo em vista estas condicionantes, nota-se que, no caso da prestação de serviço intermediado pelos mencionados aplicativos digitais, não é possível vislumbrar a configuração de vínculo laboral, notadamente pela ausência dos requisitos legais, especialmente por não haver pessoalidade, habitualidade e subordinação jurídica na relação entre os efetivos prestadores dos serviços e os aplicativos.

Não há também definição de preço de forma unilateral, mas sim o resultado de um equilíbrio entre a oferta e a demanda do mercado. Se houver muitos clientes/usuários procurando o serviço de entrega e poucos parceiros entregadores interessados em ofertar o serviço, o preço será maior. O inverso também é verdadeiro. De qualquer forma, a fixação de preços pelo algoritmo em razão do equilíbrio do mercado não configura subordinação, e a alternativa – exigir que o preço de cada serviço de entrega seja previamente negociado entre o cliente e o entregador – é sequer imaginável.

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, por ocasião da apreciação de recurso interposto no bojo do processo nº 0011359-34.2016.5.03.0112, sedimentou a posição de que, de fato, não há relação empregatícia entre as empresas de intermediação de serviços e os parceiros prestadores do serviço final. Frisou, ainda, a relatora responsável que “não é possível se esconder da realidade, ou dela se escapar. Havendo novas possibilidades de negócios e de atividades pelo desenvolvimento da tecnologia, das comunicações, das transferências de dados e informações, haverá uso delas, que servirão como ferramentas, inclusive em oferta de bens e serviços de natureza antes impensáveis ou inviáveis de serem colocados em prática, gerando novo conceito de negócio ou novo objeto de negócio”3(grifos nossos).

Dessa forma, conclui-se que, além de formalmente não ser possível identificar o vínculo laboral nas hipóteses comentadas, por carência dos requisitos exigidos por lei, o que se observa na prática é a instabilidade jurídica e, por vezes, a imposição de óbices infundados sobre a execução de tais atividades, os quais sobressaltam inclusive aos interesses previamente firmados entre as partes.

**ARTIGO PUBLICADO ORIGNALMENTE NO JOTA NO DIA 15/06/2018

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1 Estudo “Efeitos concorrenciais da economia do compartilhamento no Brasil: A entrada da Uber afetou o Mercado de aplicativo de taxis entre 2014 e 2016?”- http://www.cade.gov.br/acesso-a-informacao/publicacoes-institucionais/dee-publicacoes-anexos/documento-de-trabalho-001-2018-uber.pdf 2 Disponível em: . Acesso em 12 jun. 2018. 3 Disponível em: . Acesso em 12 jun. 2018.

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BRUNO FEIGELSON – Doutorando e mestre em Direito pela UERJ. Sócio do Lima ≡ Feigelson Advogados. Presidente da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs). Head de Futurismo da Future Law. É professor universitário, palestrante e autor de diversos livros e artigos especializados na temática Direito, Inovação e Tecnologia.

MARIANA LOUBACK LOPES – Pós-graduada pela EMERJ. Graduada pela Faculdade de Direito da UERJ. Advogada do Lima ≡ Feigelson Advogados.

VITOR MAGNANI – Gestor de Políticas Públicas (USP), advogado e especialista em Gestão Governamental. Presidente da ABO2O (Associação Brasileira Online to Offline). Coordenador do Comitê de Economia Digital e Colaborativa da Câmara de Comércio Brasil-Ásia (CBA). Fundador do Instituto Startups.

ABFINTECHS | Posicionamento

Em apoio às novas tecnologias para o mercado financeiro e ao comprometimento às boas práticas do setor, encaminhamos o posicionamento da Associação Brasileira de Fintechs sobre a liquidação extrajudicial do Banco Neon S.A.:

Posicionamento da ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) sobre a liquidação extrajudicial do Banco Neon S.A. decretada pelo Banco Central do Brasil nesta sexta-feira (4/05/2018)

A ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs), por meio deste comunicado, ressalta o impacto social positivo gerado pelo acesso à inovação no segmento de serviços financeiros no Brasil e acredita que as fintechs brasileiras vêm conquistando, nos últimos anos, a confiança e a credibilidade do mercado nacional. Essa convicção é resultado de um trabalho sério e responsável no oferecimento de serviços financeiros, com idoneidade, agilidade e custos mais acessíveis.

De acordo com o comunicado oficial emitido pela fintech Neon Pagamentos S.A nesta tarde, a liquidação extrajudicial anunciada pelo Banco Central não recaiu sobre a fintech Neon Pagamentos S.A e sim sobre o Banco Neon S.A. (antigo Banco Pottencial), com o qual a fintech tem acordos operacionais. A ABFintechs tem a expectativa de que a situação do banco seja esclarecida, preservando os direitos e a tranquilidade dos clientes da fintech Neon Pagamentos S.A.

A Associação, com 463 associadas, preza pelas boas práticas de mercado e representa os interesses das fintechs em órgãos de regulamentação. A ABFintechs ressalta que o mercado brasileiro de fintechs encontra-se em ascensão e que o setor segue oferecendo serviços financeiros para a população, de forma segura e estável.

DIRETORIA ABFintechs

Convocação | Associados

Convocamos todos os associados para a Assembleia Geral Extraordinária a ser realizada no dia 07 de maio de 2018 no seguinte endereço:

Rua Eugênio de Medeiros, nº 242 – 4º andar – Pinheiros, São Paulo/SP, CEP 05425-900

A Assembleia será instalada em primeira convocação às 11hs, e, em segunda convocação às 12hs, com a seguinte Ordem do Dia:

1. Ratificação da autorização para ajuizamento de Mandado de Segurança Coletivo com Pedido de Liminar em face do Secretário Municipal de Transportes de São Paulo, do Diretor do Departamento de Transportes Públicos de São Paulo e da Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo.

Vitor Magnani

Presidente da O2O

NOVA SEDE | WEWORK

A WeWork, rede global de espaços de trabalho com presença em 20 países, é a nova associada da O2O. A empresa passa a sediar o grupo na Av. Paulista, 1.374.

Presente no Brasil desde julho de 2017, a empresa transforma prédios em ambientes dinâmicos que estimulam a criatividade, a produtividade e as conexões entre as pessoas. Essa transformação vai muito além de apenas criar os melhores lugares para se trabalhar: a WeWork tem a missão de transformar a experiência de trabalho de empresas de todos os portes e já conta com mais de 200 endereços no mundo todo, possibilitando que a O2O se conecte com equipes locais e globais.

As associadas à O2O estão orgulhosas em contar com a infraestrutura da WeWork.

EVENTO | LIQUIDAÇÃO CENTRALIZADA: WORKSHOP

No dia 21/03, será realizado mais um Workshop sobre a compensação e liquidação centralizada, cujo prazo de cumprimento para os facilitadores e marketplaces se encerra em 28/09/18.   O evento será realizado com a participação do escritório Pinheiro Neto Advogados, Associação de Gestão de Pagamentos Eletrônicos, JD Consultores, Câmara Interbancária de Pagamentos e Associação Brasileira Online to Offline.   Data: 21/03/18 Endereço: Rua Hungria, 1.100, São Paulo Horário: 8h30 – 13h Confirmem sua presença com flavia.guarnieri@avivcomunicacao.com.br  

KOTRA São Paulo promove eventos com talentos coreanos em TI

A KOTRA (Korea Trade-Investment Agency) São Paulo está promovendo ações relacionadas à contratação de profissionais avançados em tecnologia da informação (TI) no Brasil, como parte do programa K-Move.

O K-Move é um programa do Ministério do Trabalho da Coreia do Sul, que promove a contratação de recursos humanos qualificados da Coreia em vagas no exterior, inclusive no Brasil. Para o 1º semestre de 2018, estão previstos dois grandes eventos: (a) uma rodada de entrevistas online para empresas interessadas em contratar profissionais de TI para cargos técnicos avançados e (b) a organização de uma delegação brasileira à Seoul Career Vision 2018. Informações mais detalhadas podem ser vistas aqui.

A rodada de entrevistas online está prevista para 26 e 29 de Março (data sob definição), no escritório da KOTRA em São Paulo (SP). O público-alvo são empresas com vagas de difícil preenchimento no mercado de trabalho brasileiro, devido à carência de profissionais com o nível de qualificação desejado. A KOTRA, através da sua matriz e do seu escritório em São Paulo, fará a busca de profissionais de alto padrão e promoverá suas entrevistas com as empresas participantes – tudo isso de forma completamente gratuita.

Já em 21 e 22 de Maio, ocorre em Seul (Coreia do Sul) a Seoul Career Vision 2018, a maior job fair na Coreia focada em empregos no exterior. A KOTRA São Paulo encabeçará uma delegação de empresas brasileiras de TI e setores correlatos que possuam vagas de difícil preenchimento no mercado local. Além de a Seoul Career Vision ser gratuita, é possível apoio financeiro não-reembolsável do próprio governo sul-coreano. Cumpre ressaltar que as empresas que participarem da rodada de entrevistas online de março/2018 terão preferência na seleção para esse evento.

Ambas atividades estão em fase de recrutamento de empresas participantes. Assim, é possível demonstrar interesse em uma ou ambas, bem como em serviços independentes de recrutamento e seleção, clicando aqui.

Vagas de difícil preenchimento: talentos sul-coreanos 

O mercado brasileiro de Tecnologia da Informação vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, sem uma resposta à altura em termos de abundância mão de obra qualificada.  Por outro lado, com a internet rápida, liderança na produção de semicondutores e de tecnologias mobile, a Coreia do Sul é um dos países mais avançados em TI, formando anualmente 30 mil profissionais qualificados em um ambiente educacional e profissional de alta exigência. Assim, a KOTRA São Paulo, através do programa K-Move, deseja auxiliar empresas brasileiras a superar seus desafios preenchendo essa lacuna de recursos humanos.

POSICIONAMENTO: MOBILIDADE URBANA (PLC 28/17)

A Associação Brasileira de Online to Offline (O2O) vem informar que após o aperfeiçoamento promovido pelo Senado Federal durante a votação do PLC 28/17, que visa regulamentar os serviços de transporte individual de passageiros por aplicativos, as emendas devem ser colocadas em votação pelos deputados na próxima terça (27). O PL 5587/16 encontra-se desde novembro de 2017 pronta para apreciação na Câmara dos Deputados e após intensa atuação promovida pelo grupo, conseguimos construir o entendimento de que seria melhor adiar a votação para 2018, com o objetivo de amadurecer o tema na Casa e levar ao entendimento dos parlamentares a importância das correções realizadas pelo Senado. Tendo em vista que as emendas podem ser deliberadas na próxima semana, é importante destacar que apoiamos o texto aprovado pelo Senado Federal que retiraram as seguintes obrigações:
  • Exigência de placa vermelha, permitindo que os motoristas de aplicativos utilizem seus veículos na geração de renda. Essa alteração retirou o caráter estatizante do texto;
  • Exigência de autorização específica, mantendo apenas a competência para fiscalização da atividade pelos municípios, retirando a necessidade de licença municipal..
  • Competência municipal para regulamentar o serviço, mantendo apenas a capacidade para fiscalização da atividade;
  • Necessidade de o motoristas ser proprietário do veículo, permitindo que os motoristas utilizem veículos que não estejam registrados em seu nome.
Diante deste cenário, a ABO2O entende que o texto proposto coloca o Brasil na vanguarda da regulamentação dos aplicativos de transporte, promove a competição saudável que beneficia todos os modais, gera inúmeras melhorias nas cidades em termos de mobilidade e garante renda para milhões de famílias que em período de crise buscam se reestabelecer.  

LIQUIDAÇÃO CENTRALIZADA: REUNIÕES COM A CIP

A Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) e a O2O (Associação Brasileira Online to Offline) realizarão reuniões mensais sobre a política de liquidação centralizada do Banco Central.

A primeira reunião ocorrerá dia 17 de janeiro, às 14h, no auditório da Av. Queiroz Filho, 1700, Vila Leopoldina.
 
As associadas à O2O, em situação regular, bem como as associadas à ABFintechs (Associação Brasileira de Fintechs) e à AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) poderão participar dos encontros. As associadas deverão confirmar presença, com nome, CPF e empresa que representam, para presidencia@o2obrasil.com.br. Vagas limitadas.

Liquidação centralizada

Todos os participantes envolvidos no fluxo financeiro das transações de pagamento devem participar da política: instituidores, emissores, credenciadores, subcredenciadores e instituições domicílio.

A mudança envolve uma série de questões operacionais para o setor de marketplaces e plataformas digitais, que operam de maneira diversa da economia tradicional e possuem inúmeras especificidades. Os encontros servirão para orientar o mercado e debater as soluções propostas para o setor.

Manifestação | ABO2O: Consulta Pública CGI.br

Introdução

A Associação Brasileira de Online to Offline, aqui denominada de ABO2O, agradece a oportunidade de apresentar seu posicionamento à segunda fase da Consulta Pública sobre Comitê Gestor da Internet (CGI.br), reconhecendo o esforço em criar um ambiente plural e democrático, que promova a inovação e desenvolvimento sustentável do país.

Os associados da ABO2O são empresas inovadoras que oferecem serviços disruptivos por meio da Internet e beneficiam consumidores no mundo off-line em segmentos de alimentação, beleza, moda, serviços financeiros, logística e transporte, cuidados médicos e comércio eletrônico. Acreditamos que inovação e Internet podem empoderar as decisões de consumo ao simplificar o processo de escolha e reduzir os custos de aquisição, mas, para tanto, se faz necessária a participação efetiva do Brasil na economia digital, gerando novas oportunidades de emprego e crescimento significativo da renda. A empresa de pesquisa de mercado IDC apontou que o Brasil está desenvolvendo exponencialmente este mercado O2O, em virtude da expansão da rede e smartphones. De acordo com os dados, o país fechou o ano de 2016 com a marca de 300 milhões de unidades de dispositivos conectados à Internet. A expectativa é que, até 2020, o crescimento seja acentuado, com uma expansão de 22% da receita proveniente deste mercado. Ampliando o cenário para a América Latina, a estimativa é que a quantidade de aparelhos conectados somem 1,5 bilhão dentro de quatro anos, o que representará cerca de 4% do mercado global[1]. Avaliando o cenário atual e oportunidades futuras de um número cada vez maior de dispositivos conectados à Internet, acreditamos que os estudos e ações realizados no presente terão influência significativa no ambiente de negócios futuro. Desta forma, qualquer discussão sobre a estrutura de governança da Internet e do CGI.br se relaciona diretamente com as pautas da ABO2O.

Neste contexto, apresentamos nossa posição no que diz respeito aos seguintes eixos da consulta pública: (1) composição e representatividade deste colegiado, defendendo equidade na participação e representação do nosso segmento; (2) competência do CGI.br, prezando pela manutenção da natureza instrutória e de orientação sobre o uso da Internet; e (3) transparência, apontando possíveis mecanismos para ampliar a participação social.

1. Competências do CGI.br

Atualmente a composição do CGI.br é multissetorial, envolvendo governo, setor empresarial, comunidade científica e tecnológica e terceiro setor. No entanto, entendemos que ainda há uma disparidade em relação à representatividade dos diferentes setores e segmentos.

Em primeiro lugar, defendemos que a representação do setor empresarial deve seguir o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014), o qual divide o setor empresarial estruturante em “provedores de aplicação” e “provedores de conexão”.

Devido à dinamicidade da Internet, hoje em dia há aplicações de diversas naturezas, como marketplaces, comércio eletrônico, aplicações de conteúdo e entretenimento, aplicações de serviços, entre outros. Esses provedores de aplicação têm a capacidade de oferecer insumos e maior acesso a dados e informações essenciais para o planejamento econômico, social e organizacional e que podem ajudar a tornar a alocação de recursos públicos mais inteligente e eficiente.

Tendo em vista essa diversidade, é necessário separar esse segmento dos provedores de conexão, entendidos como as empresas provedoras de Internet, de infraestrutura e bens de telecomunicação. Ainda, de modo a garantir o multilateralismo e considerando a capacidade técnica de produção de insumos para as discussões no âmbito deste Comitê, entendemos ser necessário aumentar o número total de membros titulares empresariais, garantindo a participação dos diversos stakeholders envolvidos no ecossistema da Internet. Assim, pleiteamos a participação de um membro do segmento O2O no Comitê.

2. Competências e atribuições

A ABO2O defende a manutenção da natureza instrutória do CGI.br. Em virtude da multissetorialidade, o órgão funcionará com mais eficiência nas tarefas de identificação de gargalos e impeditivos e de aconselhamento e definição de diretrizes estratégicas e operacionais para a formulação de políticas públicas.

3. Transparência

Tendo em vista a importância assumida pelo CGI.br ao longo dos últimos anos, acreditamos ser essencial aumentar os mecanismos de transparência deste Comitê. Além de garantir participação social na execução de atribuições e competências, é imperativo que se garantam meios de aferir suas responsabilidades. Assim, recomendamos que seja adotada uma política de transparência que seja compatível com a natureza, o porte, a complexidade e a estrutura desse colegiado.

Para tanto, será necessário que o decreto presidencial preveja a instituição de uma política de transparência, cujos conteúdo e detalhes deverão ser debatidos em sede de consulta pública. A minuta desta política deverá conter mecanismos que permitam uma avaliação independente, autônoma e imparcial dos sistemas e dos processos de controles internos, responsabilização de membros, e governança institucional. Sugerimos, ainda, a disponibilização das reuniões por meio de streaming, permitindo o envolvimento de toda a rede de interlocução do CGI.br.

Conclusões

As empresas associadas à ABO2O, como entes participativos do ambiente da Internet, são diretamente impactadas por todas as discussões do CGI.br e, dessa forma, acreditamos que nossa contribuição seja de extrema importância para construir um ambiente favorável à viabilização dos negócios na Internet. Em virtude disso, buscamos trazer recomendações que, além de estarem alinhadas aos princípios para a Internet no Brasil (CGI.br/RES/2009/003/P), sejam efetivas para a promoção desses princípios.

Com o crescimento de dispositivos conectados à Internet – a atual estimativa é de mais de 15 bilhões de dispositivos conectados em todo o mundo, incluindo smartphones e computadores, e a previsão é que, em 2025, esse número possa atingir 35 bilhões[2] – abre-se a oportunidade de uma maior efetividade da cadeia produtiva de diversos segmentos da economia. O incremento de dados e informações analíticas ajudarão o planejamento econômico e social do país e a diminuir assimetrias de informação, aumentando o empoderamento da população nas decisões de consumo.

Colocamo-nos desde já disponíveis a toda e qualquer contribuição que se faça necessária e pertinente sobre o tema, de forma a colocar o Brasil em posição de destaque e pioneirismo neste novo mundo digital.

São Paulo, 17 de novembro de 2017.

Vitor Magnani

Presidente da Associação Brasileira Online to Offline

http://o2obrasil.com.br/

*documento submetido por meio da plataforma de consulta pública do CGI.br <https://consulta.cgi.br/>

[1] Fonte: TURNER, Vernon; GANTZ, John F.; REINSEL, David; MINTON, Stephen. The Digital Universe of Opportunities: Rich Data and the Increasing Value of the Internet of Things. Report from IDC for EMC. Abril de 2014. UK Digital Strategy 2017

[2] Fonte: European Parliament, Directorate General for Internal Policies. Study on Industry 4.0. Disponível em: < http://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2016/570007/IPOL_STU(2016)570007_EN.pdf >

McKinsey Global Institute. Unlocking the Potential of the Internet of Things, junho de 2015. Disponível em: < http://www.mckinsey.com/business-functions/digital-mckinsey/our-insights/the-internet-of-things-the-value-ofdigitizingthe-physical-world.>