5G, IA, IoT e o impacto das novas tecnologias nos negócios

O mundo se digitalizou. Muito do que era visto como tendência há poucos anos se tornou realidade e transformou a vida das organizações e da sociedade como um todo. As novas tecnologias elevaram tudo a um outro nível: atendimento, agilidade, customização, resolutividade, eficiência, comunicação. A relação entre marcas e consumidores, cidadãos e governos foi e está sendo transformada constantemente. Em função disso, a Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O), a FecomércioSP, o Centro Afiliado para a 4ª Revolução no Brasil (C4IR Brasil) e o Grupo Innovation Xperience reuniram especialistas de setores distintos para falar como essas tecnologias estão impactando o mundo dos negócios.

 

Quando se fala de um futuro mais tecnológico, o 5G tende a ser um dos pilares, já que novas possibilidades surgirão a partir desse tipo de conectividade. No entanto, há desafios a serem vencidos até que essa infraestrutura seja predominante mundo afora. Um deles é a questão de antenas que precisam ser instaladas para viabilizar o 5G. 

 

Vitor Magnani“Há um déficit de antenas em muitas regiões do País e legislações que proíbem a instalação próximas de parques, hospitais, escolas, porque tinha uma conotação de que elas geravam prejuízos à saúde das pessoas devido à radiação. Mas para o 5G funcionar no Brasil, vamos precisar de no mínimo o dobro de antenas”, disse Vitor Magnani, presidente da ABO2O e do Conselho de Comércio Eletrônico da FecomércioSP.

 

“Para o 5G funcionar no Brasil, vamos precisar de, no mínimo, o dobro de antenas”

 

Eduardo Magrani, especialista e conselheiro de Inteligência Artificial da ABO2O, afirmou que é preciso diminuir a quantidade de Fake News em torno do tema. Ele enfatizou que o assunto é complexo e envolve questões geopolíticas complexas, e que o Brasil fica dividido sobre qual rumo tomar. No entanto, ele disse que a tecnologia é fundamental para o florescimento da Internet das Coisas (IoT) e garantirá um efeito prático muito importante. “O Brasil tem que buscar essa tecnologia para se posicionar estrategicamente. É muito benéfico para as indústrias, empresas e sociedade, mas que precisa sair do papel”.

 

BaiaoUm dos principais benefícios do 5G é que a tecnologia não trará apenas mais velocidade na conexão de internet, mas reduzirá a latência, muito importante nos modelos que envolvem essa infraestrutura de TI. Mas uma das preocupações de Marcos Baião, head de Tech & Inovação da Deal, é a possível demora de implantação. 

 

“No plano do governo, as cidades com 500 mil habitantes têm até julho de 2025, as com mais de 200 mil, julho de 2026, e as que têm acima de 100 mil habitantes só em 2027. Provavelmente, 100% dos municípios só serão atendidos pela regulamentação até 2029, ou seja, já estamos saindo um pouco atrasados”.

 

Segundo Clara Langevin, gerente de Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquinas do C4IR Brasil, os Estados Unidos debatem o 5G sob duas óticas principais. A primeira delas é a respeito do acesso. “Quando as aulas das escolas migraram para o online, devido à pandemia, vimos uma lacuna gigante em conexão de internet. Ou seja, será que a infraestrutura americana também está pronta para o 5G?”, questionou. Além desse aspecto, Clara destacou o desafio de estabelecer normas, principalmente envolvendo princípios éticos. 

 

Guilherme Kato, CTO no Dr. Consulta, acredita que o 5G vai gerar uma enxurrada de dados, e que será um enabler muito grande para a IoT. “Atualmente, a gente consegue pegar dados de muitos lugares, mas o 5G vai mudar isso de patamar quando estiver em operação”. O desafio, segundo ele, será como os gestores de tecnologia irão lidar com esse grande fluxo de dados, já que não são todas as organizações que possuem uma área especializada no tratamento dessas informações. 

 

“Atualmente, a gente consegue pegar dados de muitos lugares, mas o 5G vai mudar isso de patamar quando estiver em operação” 

 

Mundo orientado por dados

ClaraMas com tantos dados em jogo e a possibilidade de aumentar ainda mais esse fluxo, como criar uma cultura data driven? Segundo Clara, as empresas precisam entender a própria maturidade e se estão preparadas para adotar tecnologias de IA, sistemas de IoT, entre outros. “Uma parte do nosso projeto é criar um check list para ajudar as organizações com essas questões, já que são os tipos de dados que enviesam as ferramentas de Inteligência Artificial”. 

 

“Uma parte do nosso projeto é criar um check list para ajudar as organizações com essas questões, já que são os tipos de dados que enviesam as ferramentas de Inteligência Artificial”

 

GuilhermeJá para Guilherme, a cultura data driven passa por dois pontos. “Todas as pessoas que trabalham na parte administrativa têm que saber mexer na ferramenta de Business Intelligence (BI) da empresa”, disse. O segundo é a democratização dos dados. “Se para fazer algum tipo de análise você depende de uma área de tecnologia, sua empresa não é data driven”. 

 

Na opinião de Marcos Baião, é preciso dar capacidade aos sistemas atuais e levar ele a criar análises e previsões. “Empresas que querem estar nesta 4ª Revolução Industrial precisam entender que os dados têm que ser usados para decisões mais ágeis”. Para isso, segundo ele, é necessário ter essa cultura popularizada dentro das esferas dos times internamente. 

 

“Empresas que querem estar nesta 4ª Revolução Industrial precisam entender que os dados têm que ser usados para decisões mais ágeis” 

 

 Magrani“Os benefícios estão escancarados, mas a ideia de data driven também pode ser uma armadilha. É claro que estratégias de negócios, desenvolvimento de produtos orientados por dados é magnífico. Porém, quem está pilotando o carro: o dado ou o ser humano pensante por trás disso? A gente não para pra pensar criticamente que existe um risco da humanidade estar perdendo sua autonomia para tomar decisões algorítmicas e essa é uma ponderação mais filosófica que precisamos fazer”, refletiu Eduardo Magrani.

 

“A gente não para pra pensar criticamente que existe um risco da humanidade estar perdendo sua autonomia para tomar decisões algorítmicas” 

 

Assista ao painel na íntegra no vídeo abaixo.

Fonte: Inovativos