Super desafios e alta demanda; trajetória da relevância social do Delivery & Logística no Brasil

Em uma sociedade cada vez mais conectada (em todos os aspectos), o setor de Delivery & Logística é um segmento que ganhou muita relevância social em curto espaço de tempo; demanda aprendizados e avanços, burocráticos e tecnológicos, rápidos e precisos. Uma jornada que pulou a etapa “próximos passos” e corre para alcançar pedidos cada vez mais remotos e exigentes entregando bons resultados para todas as pontas. O delivery como motor do ciclo digital de compras é um novo negócio e a mais nova pedida; com crescimento extraordinário, antes e depois, da pandemia. Além de um dos setores mais dinâmicos da economia digital, presta atualmente um serviço essencial à sociedade, contribuindo para o distanciamento social. Aproximou das novas tecnologias parte da população que nunca tinha experimentado o sabor da conveniência de receber tudo, não só alimentos, na palma da mão. 

A nova onda de compras online fez do delivery um porto para quem quer pedir comida em um clique, trabalhar para ganhar o pão de cada dia ou complementar renda. Com a crescente utilização, aplicativos flutuam no modo de vida das pessoas como a “tábua da salvação” em meio a um mar de incertezas sobre quando se dará o resgate do contato com o mundo físico e o cenário de rareamento de empregos e postos de trabalho. Restaurantes (até de alta gastronomia) viram no delivery a possibilidade de sobreviver às portas fechadas por meses e remodelaram negócios. Plataformas, digitais por natureza, atenderam ao chamado dos novos tempos, pós-Covid-19. “Registramos um aumento de 128% no número de cadastros de entregadores na plataforma em abril deste ano, em relação a janeiro”, conta Michele Volpe, Legal Manager Brazil Rappi

A executiva da startup colombiana, avaliada em US$ 3,5 bilhões apoiada pelo SoftBank, presente em onze países, acompanha esse percurso de vertiginoso crescimento no Brasil com referência global. Cada País em que a Rappi atua tem um head jurídico local que se reporta à estrutura global. Atualmente, são todas mulheres respondendo ao CEO do Grupo; o fundador  Sebastian Mejia. Das onze em campo, Michele veste a camisa do regulatório no Brasil. Dona de um repertório inenarrável, acaba de liberar o passe para a Rappi implementar no Brasil sua estratégia de Super App; tendência de mercado para empresas que superam adversidades com inovação e capacidade empresarial atlética; disponibilizam vários setores em único App

Habituada a competir com prazos, ela sabe que há muita responsabilidade em jogo que pede regras claras para vencer desafios comuns ao setor, para os quais não há prorrogação ou segundo tempo. Com o pulso dos 29 anos, paixão por tecnologia, Michele tem fôlego para ajudar a ditar a velocidade dos avanços do segmento que rompeu a fronteira dos “foods” para entregar além de comidas, os “goods” (tudo que está nas prateleiras do varejo); correu para o abraço da representatividade. Conquistou a liderança do recém-criado Comitê Delivery & Logística da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O); que encara desafios regulatórios, legais e jurídicos, dentre outros dilemas pertinentes a modelos de negócios disruptivos que reinventam segmentos tradicionais da economia. 

Novo comitê Delivery & Logística chega para ligar as pontas do setor

“Fico muito feliz por aportar conhecimento ao setor em momento tão relevante, atípico e único. Iniciamos as atividades do Delivery & Logística como comitê temático em plena pandemia. Demos os primeiros passos apoiados e apoiando o Comitê de Mobilidade, um dos pilares ABO2O, até ganharmos independência. Seguimos interagindo sempre que necessário, nossos caminhos regulatórios sempre se cruzam; recentemente, atuamos em conjunto, com bastante força, por meio de explicações de modelos de negócios e participação em reuniões, para que o texto do Projeto de Lei 1179/20 (que trazia a emenda Uber e trata da redução do percentual da retenção dos aplicativos) não impactasse diretamente as plataformas” explica Michele. 

O Comitê Delivery & Logística nasceu 100% digital, com assembleias mensais e pautas extraordinárias, cada dia mais frequentes.”Importante destacar, nesse momento, no setor em que estamos inseridos, que funcionamos como um organismo vivo. Um ecossistema com pessoas diferentes, de cadeias e setores que mobilizamos; mutante. Diferente de outros comitês com pautas mais definidas, o nosso trabalha muitos temas simultaneamente e alterna prioridades. Há muita coisa acontecendo que impacta todo o cenário. Cada elo dessa cadeia tem um equilíbrio delicado. Qualquer mudança, naturalmente, o afeta de forma intensa”, complementa. 

Para representar a coletividade é preciso fomentar políticas inclusivas, sem brechas, lacunas, com espaço para todos contribuirem. “É uma experiência singular desbravar políticas de setor num momento em que ele é tão solicitado pela sociedade. Buscamos apoiar discussões e mostrar a força do Delivery & Logística no Brasil; segmento ainda pouco conhecido pelo aspecto tecnológico e mais associado à visão tradicional da logística (transporte). Dentro da ABO2O, lidamos com uma pluralidade inerente às tecnologias e portes das empresas associadas; o que aumenta a dificuldade mas enriquece o debate”, conclui a liderança.

Nascido para regular, equilibrar desafios e oportunidades 

Sob foco atual do comitê Delivery & Logística estão temas de regulamentação setorial relacionados às atividades e enquadramento jurídico. Pensamos em termos legislativos como trazer mais segurança aos entregadores e motoristas (além da questão operacional; protocolos de segurança). Buscamos a medida ideal da régua mínima para todos os aplicativos e o setor cumprirem; considerando a dificuldade de contemplar tecnologias diversas e os portes díspares das companhias. Mantemos também um Grupo de Trabalho com a Associação de Bares e Restaurantes para entender as demandas deles nesse período de pandemia com relação às tarifas; queremos chegar à adequação justa sem enveredar para tabelamento (que chegou a ser cogitado, mas, historicamente, mostrou ser uma medida que não funciona na prática por uma série de barreiras econômicas). Vamos intervir na discussão e trabalhar nas PLs sob as premissas corretas”, pontua Michele. 

É complexa a tendência da regulação tributária do setor nesse momento de crise sanitária (sem precedentes na história recente) em que estados e municípios buscam fontes complementares de arrecadação e geram PLs sobre a temática. “É preciso equalizar interesses do estado com a possibilidade de desenvolvimento tecnológico do País, sem que isso gere uma barreira de entrada de novos players ou à criação de novas tecnologias; sem desestimular o crescimento conquistado até agora. No momento tentamos encontrar uma maneira de fazer coisas tão novas orbitarem sob antigas balizas jurídicas”, esclarece. “A grande questão é como tratar com as devidas pertinência e calma especificidades de um segmento novo que não é homogêneo. Sem contar que para falar de regulamentação das plataformas também temos que abordar um tema sensível; o futuro do trabalho. Entender essa forma de trabalho que não é emprego é uma  pauta mundial ,”explica. 

Entregas sem crise

Conectando presente e futuro com propósito, o Comitê Delivery & Logística ABO2O desenvolve protocolos de segurança e ações de combate ao novo coronavírus.”Conquistamos o apoio de empresas e entidades, a exemplo da FecomercioSP. Desde o início da pandemia difundimos entre os associados medidas adotadas pelos concorrentes: entregas sem contato f’ísico, distanciamento adequado do cliente e a forma mais indicada de manusear o pacote e minimizar o contato e mitigar risco de contágio. Essas ações do comitê de Delivery & Logística ABO2O originaram um protocolo de segurança baseado em referências internacionais e nas melhores práticas de delivery em tempos de pandemia; o Guia de Entregas Seguras”, comemora Michele. 

A ideia é estimular que, individualmente, as empresas se dediquem a conter o avanço da doença e trazer algum benefício para as pessoas ligadas a esse ecossistema de empresas que funcionam em rede; de um lado parceiros comerciais, do outro consumidores e integrantes do nosso ecossistema que são os entregadores e motoristas”, aponta Michele.  Avanços no cenário de regulação do setor que tem grande impacto sobre a vida social das pessoas podem entregar melhores experiências a todos que coexistem em simbiose com um ciclo digital de compras em transformação. 

Superapps, Goods trends y otras cositas más; partiu entrega do futuro

Depois de a pandemia se instalar, foi lançado o desafio gigante de chegar mais longe e rápido, de forma segura. Esse é o desafio imposto para todas as empresas de Delivery & Logística. Mas algumas, como a Rappi, foram além durante a quarentena;  ativaram seus poderes de superapp e voaram pela rede até onde o consumidor estava; em casa. Pela vertical Rappi Entertainment, os brasileiros podem experimentar em primeira mão os recém-lançados produtos Rappi Games, Rappi Live Events e Rappi Music, que oferecem  streaming, ferramentas para lives e games, conforme anunciou há algumas semanas Sérgio Saraiva, presidente da Rappi no Brasil. Em março desse ano a empresa que já oferecia desde compras de supermercados e refeições de restaurantes a medicamentos e móveis, passou a alugar patinetes, além de viagens e serviços bancários básicos, lançou também o Raapi no Mall; que leva produtos de um shopping virtual com produtos de 50 marcas até o consumidor. 

“Acredito que Delivery & Logística é um setor que não tem como se esgotar.  Há muito a ser feito em termos de inovação, desde melhoria e otimização do próprio formato da prestação de serviço de todas as  plataformas  à criação de novas tecnologias. Difícil não cair no clichê: falaremos de drones, tecnologia de robótica, especialmente no last mile; viabilizando entregas efetivamente sem contato. Certamente, novas tecnologias irão chegar; há muito no porvir.  E é provável que as novidades do Delivery & Logística, já em teste no exterior, cheguem pelo ar”, finaliza Michele.

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